Zoologia de Invertebrados

 

Os invertebrados representam 80% das espécies descritas e frequentemente compõem a maior parcela de biomassa em ecossistemas terrestres e aquáticos. Apesar de grande parte dos serviços ecossistêmicos estar diretamente ou indiretamente relacionado aos invertebrados, estes últimos são frequentemente negligenciados em estimativas de biodiversidade. Este panorama deve-se a fatores diversos, como o pouco reconhecimento da sociedade sobre o papel fundamental destes organismos na manutenção dos ecossistemas ou devido a dificuldades científico-metodológicas para se estimar a riqueza de espécies. Inseridos neste contexto, nos primeiros anos de investigação sobre invertebrados do PARNA Jurubatiba, as pesquisas concentraram-se principalmente em documentar a ocorrência de espécies nos distintos ambientes aquáticos e terrestres. Crustáceos, artrópodes, poliquetas e moluscos foram os principais grupos estudados. Por exemplo, o crustáceo copépoda Diaptomus azure é uma espécie endêmica das lagoas da região. Os poliquetas Heteromastus similis, Laeonereis culveri, Sigambra grubei, Nephtys fluviatilis são comumente encontrados nas lagoas do parque, enquanto Boccardiella ligerica, Dipolydora socialis e o complexo Capitella capitata possuem registros esporádicos em apenas algumas lagoas.
O anfípoda semi-terrestre Atlantorchestoidea brasiliensis (“pulga da praia”) é abundante na faixa de areia e em épocas com maior disponibilidade de matéria orgânica ao redor das lagoas costeiras, talidrídeos Platorchestia também são encontrados. Em um momento subsequente as pesquisas sobre invertebrados concentraram-se em relacionar a distribuição das espécies e heterogeneidade ambiental. O ambiente extremo e altamente variável das funciona como um filtro que seleciona espécies capazes de se adaptar as flutuações ambientais locais.
Em determinadas épocas do ano, as altas temperaturas promovem a evaporação da água das lagoas, tornando-as mais rasas, alcalinas e hipersalinas.  Esta variação na salinidade, bem como nos teores de matéria orgânica, pH e fósforo influenciam de maneira direta a distribuição e abundância dos poliquetas assim como como do anfípoda Quadrivisio lutzi, espécie associada à macrófitas aquáticas. Populações são capazes de se recuperar após distúrbios que causam quase que seu desaparecimento completo. Esta capacidade está provavelmente relacionada à grande tolerância a variações de salinidade e temperatura, além de seu alto potencial reprodutivo. Técnicas moleculares auxiliarão investigar a diversidade genética e a magnitude do fluxo gênico entre as populações, bem como asvariações temporais da composição genética como resposta a variações ambientais e perturbação antropogênica. Considerando que invertebrados geralmente possuem ciclos de vida relativamente curtos, investigações de longa duração permitem estudar padrões anuais e plurianuais de reprodução e crescimento das espécies, estabelecendo possíveis relações com modificações climáticas. Em um cenário de aumento na frequência de eventos extremos como tempestades, ondas e ciclones que certamente afetarão áreas costeiras, transicionais e terrestres, torna-se imprescindível o conhecimento acerca da diversidade e distribuição das espécies de invertebrados para a proposição de estratégias de conservação e manejo eficientes.
 
 

 

Grupo Zoologia de Invertebrados

 

Carlos Alberto de Moura Barboza (carlosambarboza@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/3629226944950076

 

Christine Ruta (christineruta@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5743254140666876

 

Laura Isabel Weber da Conceição (liweberc@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5699871854135476

 

Paulo Cesar de Paiva (paulo.paiva@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1226350276509077

 

Vinícius Abano Araújo (vialbano@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/0559800226477492

 

Marco Antônio Bastos Gomes (marcoaiabio@gmail.com)

Lattes: http://lattes.cnpq.br/9344695175419319